sobre mim



Eu fumo, eu fumo.
Pra me distrair com a fumaça,
Pra esquecer as más escolhas da minha vida,
Pra viver mais um dia nesse inferno astral
que se abateu sobre mim desde que eu nasci.
Pra esquecer que já não tenho esperanças de me safar
dessa vida normal.
Fumo e peno no meu corpo internamente
Minhas artérias entupidas
Meu pulmão petrificado
Meus dentes amarelos
Aí eu acendo outro cigarro porque tá tudo
podre mesmo
Até o qie não se pode ver
Até o que nem existe.
Penso no quanto sou cruel comigo,
me torturando dessa forma pro fim.
Penso que há meios mais bonios de se
chegar ao final
E encontro a minha covardia.
Acendo um cigarro então, pra me achar.
Acabo me distraindo com a fumaça
E esqueço por cinco minutos que estou louca
com tudo isso.
Louca por ter me aprisionado numa vida tão igual
de Domingos com churrasco e pessoas sorridentes sem dentes.
Mas talvez elas não tenham saída.
Eu me pergunto, eu tenho?
Esqueci.
Fumo de novo. Minha garganta dói.
Meus lábios feridos e ressecados queimam porque
tentei rir de mim  mesma.
Aí eu sinto pelo gosto metálico do sangue,
pela sua cor ardente, que isso não tem graça nenhuma.
Meu corpo começa a acinzentar se, a desfazer se
como a fumaça densa do cigarro barato entre meus dedos amarelos.
Eu pairo por uns instantes no ar
então desapareço deixando apenas
o odor desagradável da insatisfação pessoal.
Abro os olhos molhados e
acendo mais um cigarro.


























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